sexta-feira, 22 de outubro de 2010

RESENHA DO LIVRO GUIA PARA EDIÇÃO JORNALÍSTICA

Por
Evilasio Anelli
A idéia a ser transmitida pelo autor no capitulo intitulado de O Planejamento da Notícia, começa como um nariz de cera e prende a atenção do leitor.
O autor descreve a infância conturbada de Sandro do Nascimento, que viu sua mãe ser esfaqueada até a morte. Passou a viver na rua e escapou da morte no assassinato da Candelária, crime com repercussão em todo o mundo.
Sandro foi o autor do sequestro do ônibus 174 no ano 2000. A polícia foi avisada que no ônibus havia um homem armado. Acuado, ele fez vários passageiros reféns. A TV transmite tudo ao vivo. Trinta e cinco milhões de pessoas em todo o mundo acompanham o sequestro ao vivo.
A morte ao vivo
Numa ação imprecisa, a polícia atira e erra o alvo. Mata uma refém. O objeto em da análise em questão não é o assalto mais a ação jornalística. De acordo com o livro, os repórteres presentes transmitem pouca informação diante dos fatos e mais; uma repórter de uma TV a cabo se desmanchava impotente diante das imagens, como o próprio telespectador.
Ao citar O Planejamento impresso, aborda o caso do ônibus 174, em que foi um dos poucos casos que o impresso levou vantagem sobre a TV. As pressas a televisão passou a versão oficial da morte do  assaltante na troca de tiros com policiais.
A folha de São Paulo registrou com uma foto de Luis Bittencourt, Sandro entrando vivo no carro da polícia. O Globo estampou a foto em primeira página. A Folha de São Paulo, apenas, nas páginas internas. O jornal do Rio usou sete páginas para o episódio, inclusive a manchete da capa, entrevistando todos os envolvidos de reféns a passageiros e a repercussão com a polícia e com a sociedade.
Houve destaque nos erros e acertos da polícia. Casos bem sucedidos e o perfil do assaltante que emocionou o país e transformou o bandido em herói.
O livro aborda que a decisão do que pode virar notícia nos meios de comunicação, abordado em Rotinas produtivas, depende do caráter do jornalista, da organização em que trabalha e dos valores da comunidade profissional envolvida.
Em Ordem no Espaço, é citado que a importância da noticia depende da territorialidade. Fora do espaço pré-determinado, só importa se estiver gente famosa envolvida.
O tempo para o jornalista
O tempo para o jornalista é diferente do tempo de outros profissionais, e fica bem entendido quando cita na Ordem do Tempo, que o tempo para o jornalista na edição diária do jornal é cíclico. Começa uma nova edição, quando a anterior é finalizada.
Os veículos de comunicação se preparam para uma rotina diária mais também tem que ter capacidade gerencial, administrativa e organizacional para a cobertura do inesperado como deslocamentos, contatos e todos os meios necessários para o jornalista se dirigir até o local do fato ocorrido.
O projeto editorial do jornal
Todo jornal tem que ter seu projeto editorial que define a linha do jornal, o primeiro critério a ser adotado. Dotado dessa personalidade, ou caráter, terá o jeito próprio de abordar as notícias e reportagens veiculadas.
Na sequência o formato, a cobertura territorial e a distribuição. Por fim busca-se a realimentação através de pesquisas de opinião com leitores e o índice de leitura, buscando também descobrir e definir o perfil do leitor.
Por fim, as ameaças externas (concorrência) e o retorno financeiro. Depois vem a diagramação, item fundamental no jornal, nunca é aleatória. Ela define e denuncia a personalidade do editor.
Diagramar é tomar posição
Diagramar é tomar posição. Isto resume o trabalho e o caráter do editor, visto que o design, também comunica. O olhar do leitor vai para onde o diagramador quer que vá. Comparativos da colocação de manchetes do mesmo assunto revelam a parcialidade e a tendência do jornal. Uma mesma notícia pode ser abordada por ângulos diferenciados.
Justificando a pirâmide invertida
Citando a pirâmide invertida cita o autor que ela foi estimulada pela máquina de datilografia. Caso não coubesse no espaço determinado o menos importante poderia ser eliminado.
A imagem
Item indispensável no jornal o fotojornalismo traz sentido a imagem quando a foto não é pousada. Ela depende do repertório de quem fotografa, edita e vê a cena paginada e confere uma lógica própria a imagem. Uma boa foto pode torná-la um texto legenda.
Outro recurso além da fotografia é o infográfico, recurso utilizado no jornalismo para explicar matérias de difícil entendimento para o leitor leigo ou para tornar a leitura mais agradável. Ele evita o leitor a se perder em cifras.
O infográfico
O infográfico tem apelo visual que pode atrair o leitor para a matéria e despertar seu interesse na leitura. O recurso pode ser ainda utilizado quando faltar fotos ou as cenas fotográficas for insuficiente para a ilustração do fato. É comum em épocas de eleições serem utilizadas na forma de gráficos para demonstrar o desempenho de partidos ou de candidatos a cargos eletivos.
Na utilização deste recurso o jornalista e o editor têm que tomar cuidados suficientes para certificar que os dados dos gráficos não contradizem informações constantes no texto.
Mais um recurso o da tabela pode ser considerado um meio termo entre o texto e o gráfico. Pode ser auxiliar para colocação de itens ou um misto entre textos e números.
Os desenhos informativos são os chamados diagramas e podem ser de montagem ao lado de fotos, descrevendo o funcionamento de um órgão do corpo, ou de processos explicativos como realizar determinadas tarefas ou trabalho como um mergulho, por exemplo, explicar projetos arquitetônicos mostrando as partes internas de uma construção, mapas para localizar áreas ou locais, fazer orientações ao leitor, mostrando como encontrar o local do acontecimento e ainda estatísticos somando mapas e gráficos.
Títulos jornalísticos
Quando o autor se refere aos títulos jornalísticos afirma que títulos, são considerados os filhos da revolução industrial. Eles são peças indispensáveis na venda da informação, e resumos de relatos. Exigem complementos que desobrigam o título principal a esgotar as informações do texto.
Ai entra o recurso do chapéu, subtítulos, intertítulos, olhos e janelas. O título tem a função de levar o leitor a tomar o conhecimento do assunto e em seguida reconhecer pela leitura da matéria. Os títulos com verbo formam uma frase com afirmação completa, sujeito verbo e predicado, daí a ordem direta sem pontuação nem omissão do sujeito da informação.
O editor gerente
Na questão da gerencia da informação, ao descrever o cotidiano do editor, compara-o a um gerente, mais daqueles que pega na massa. Esse gerente na maior parte de seu tempo fica em reuniões administrativas, faz controle de custos, administra o pessoal, e resolve problemas de relacionamentos interpessoais. São tarefas que consomem energia e tempo. Tempo que o editor poderia estar utilizando na elaboração do produto, ou seja, informação pronta para ser consumida.
Conclusão
Para se fazer uma resenha da obra Guia para Edição Jornalística do autor Luiz Costa Pereira Junior, foi necessário ler, entender e sintetizar o assunto.
Curiosamente o primeiro caso citado do sequestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro, o que foi o trabalho correto de jornalismo, analítico, crítico, informativo, acabou sendo exceção e virou estudo de caso.
É possível concluir que os processos descritos na produção jornalística foram vivenciados, estudados e pesquisados pelo autor que, de uma forma simplificada conseguiu transmitir a arte de fazer um jornal, até mesmo para quem nunca entrou ou trabalhou numa redação de um jornal.
Pela forma simples, o autor consegue transmitir com riqueza  os detalhes, a clareza, as dificuldades, as técnicas e os passos de uma edição jornalística, e como deve ser o jornal perfeito.

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